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Não sei como começar e, possivelmente não saberei como terminar. Deixarei que o meu coração, o companheiro discreto de sempre, guie para a minha mão as palavras certas, como sempre tem acontecido. Esperei meses, vi passar os dias, contei as horas, os minutos e os segundos… na esperança de ver chegar as horas, contei os dias horas e até mesmo segundos, na esperança de ver chegar um dia diferente, o dia em que iria acordar e verificar que apenas tivera um pesadelo, um pesadelo no qual te perdera. Não entendo, nunca entendi a razão de terminares, assim, num estalar de dedos, a história que ambos começáramos a construir… porque o meu coração ferido dizia que tinha tudo para dar certo, para sermos felizes. Quais foram essas razões? Não sei e já não quero saber. Tomaste essa decisão que tive que respeitar… e de aceitar. Feito o balanço do nosso percurso, fica-me a certeza de tudo ter feito para te ver feliz, numa preocupação constante pelo teu bem estar e para estarmos bem na nossa vida a dois. Hoje pergunto-me para quê? Valeu a pena? Sim, valeu! Cresci como pessoa, como ser humano… cresci na felicidade e na decepção, no desencanto… cresci ao entender que a vida nem sempre realiza os nossos sonho porque é sábia e sabe interromper o percurso quando é preciso, quando isso se torna necessário ao nosso desenvolvimento e à nossa felicidade. Contigo, também aprendi, porque tive o bom e o mau, talvez prefira chamar-lhe menos bom. Foram dois anos magníficos de companheirismo, de partilha, de cumplicidade e foram tão ricos os nossos momentos em relação aos menos bons, que conseguiram ajudar a apaziguar a minha dor e substituí-la apenas por um enorme desencanto. Senti-me um cachorro abandonado. O desencanto trouxe as lágrimas que deixei livremente rolar dos meus olhos, os pensamentos galopavam na minha cabeça, e dias e dias seguidos, agarrado ao telemóvel, aguardei uma palavra tua, a palavra que não chegou. Mas a indiferença sempre afastou o amor e tudo se foi tornando mais claro dentro de mim. Agarrei de novo na minha alegria, deixei que os sorrisos enfeitassem o meu rosto, procurei o afecto dos amigos, em suma, recomecei a viver. Conheci novas pessoas, que me valorizaram, que me escutaram numa altura da vida em que eu não era a melhor companhia, mas elas estavam lá, comigo… continuam comigo! Não te quero mal. És uma miúda espectacular e isso está fora de causa. Sinto-me muito feliz por ter conhecido a tua outra parte, a parte sentimental, a parte que nem todos irão conhecer… Mas está na hora de seguir viagem, cada um para seu lado em busca da felicidade. Os nossos caminhos podem ser paralelos, cruzados em opostos, só a vida o dirá. Nas nossas recordações ficarão dois anos maravilhosos e no amanhã a nossa amizade que, espero, perdure se isso for bom para nós. Pela minha parte, ajudarei em tudo o que puder. Despeço-me com um grande beijinho e um apertado xi-coraçao
Fernando Candeias.
