Esta foi a última carta que lhe escrevi num momento dificil qu passámos
Quarta-feira Agosto 20th 2008, 23:05
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Não sei como começar e, possivelmente não saberei como terminar. Deixarei que o meu coração, o companheiro discreto de sempre, guie para a minha mão as palavras certas, como sempre tem acontecido. Esperei meses, vi passar os dias, contei as horas, os minutos e os segundos… na esperança de ver chegar as horas, contei os dias horas e até mesmo segundos, na esperança de ver chegar um dia diferente, o dia em que iria acordar e verificar que apenas tivera um pesadelo, um pesadelo no qual te perdera. Não entendo, nunca entendi a razão de terminares, assim, num estalar de dedos, a história que ambos começáramos a construir… porque o meu coração ferido dizia que tinha tudo para dar certo, para sermos felizes. Quais foram essas razões? Não sei e já não quero saber. Tomaste essa decisão que tive que respeitar… e de aceitar. Feito o balanço do nosso percurso, fica-me a certeza de tudo ter feito para te ver feliz, numa preocupação constante pelo teu bem estar e para estarmos bem na nossa vida a dois. Hoje pergunto-me para quê? Valeu a pena? Sim, valeu! Cresci como pessoa, como ser humano… cresci na felicidade e na decepção, no desencanto… cresci ao entender que a vida nem sempre realiza os nossos sonho porque é sábia e sabe interromper o percurso quando é preciso, quando isso se torna necessário ao nosso desenvolvimento e à nossa felicidade. Contigo, também aprendi, porque tive o bom e o mau, talvez prefira chamar-lhe menos bom. Foram dois anos magníficos de companheirismo, de partilha, de cumplicidade e foram tão ricos os nossos momentos em relação aos menos bons, que conseguiram ajudar a apaziguar a minha dor e substituí-la apenas por um enorme desencanto. Senti-me um cachorro abandonado. O desencanto trouxe as lágrimas que deixei livremente rolar dos meus olhos, os pensamentos galopavam na minha cabeça, e dias e dias seguidos, agarrado ao telemóvel, aguardei uma palavra tua, a palavra que não chegou. Mas a indiferença sempre afastou o amor e tudo se foi tornando mais claro dentro de mim. Agarrei de novo na minha alegria, deixei que os sorrisos enfeitassem o meu rosto, procurei o afecto dos amigos, em suma, recomecei a viver. Conheci novas pessoas, que me valorizaram, que me escutaram numa altura da vida em que eu não era a melhor companhia, mas elas estavam lá, comigo… continuam comigo! Não te quero mal. És uma miúda espectacular e isso está fora de causa. Sinto-me muito feliz por ter conhecido a tua outra parte, a parte sentimental, a parte que nem todos irão conhecer… Mas está na hora de seguir viagem, cada um para seu lado em busca da felicidade. Os nossos caminhos podem ser paralelos, cruzados em opostos, só a vida o dirá. Nas nossas recordações ficarão dois anos maravilhosos e no amanhã a nossa amizade que, espero, perdure se isso for bom para nós. Pela minha parte, ajudarei em tudo o que puder. Despeço-me com um grande beijinho e um apertado xi-coraçao

Fernando Candeias.



Uma das muitas cartas escritas para a minha nina linda
Quarta-feira Agosto 20th 2008, 23:04
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Depois de tudo o que vivemos, resolveste acabar… não sei o que se passou contigo, bebé…não consigo entender.Por tudo o que passámos, pelos obstáculos que juntos vencemos, inocente ou idiota, julguei que o nosso amor seria eterno… talvez um daqueles amores dos contos de fadas, aqueles amores que resistem sempre às piores provações porque se vão fortalecendo, sempre que se vence mais uma etapa. Parece que me enganei!Quando começámos a namorar, tudo parecia perfeito, aos meus olhos era perfeito!..Lembras-te daquela fase difícil que passámos? E como, sozinhos, a conseguimos transpor?Achava eu, inocente ou ingénuo, não sei, que depois desta dura prova, nada mais seria capaz de nos derrubar… o nosso amor estaria ali “de pedra e cal” e, de mãos dadas, bem apertadas, de corações em sintonia, nós saberíamos contornar as situações mais difíceis, saberíamos resolver, ultrapassar… e depois, sempre juntos, saborear as vitórias, as nossas vitórias que se transformariam nos nossas conquistas.Engano meu. De um dia para o outro, assim, como num passo de mágica, resolveste terminar… dizendo que já não me amavas!Terás as tuas razões? Ou será a vida que nos está a apontar o inevitável? Ou será apenas uma indecisão de momento? Ou será a tua imaturidade a vir ao de cima? Como se deixa de amar alguém de um dia para o outro?Tantas perguntas sem resposta…Creio que estes têm sido os piores dias da minha vida…o sofrimento domina-me… as lágrimas insistentes visitam-me enquanto recordo, num silêncio carinhoso, todos os nossos momentos vividos a dois.Quero manter acesa a luz da esperança, num desejo mudo mas intenso de te ter de novo nos meus braços. Desejo-te como nunca… sinto a saudade a corroer-me as entranhas, a queimar-me cá dentro de mim…Neste momento dou muito mais valor às pessoas que amo e sinto saudade delas só por pensar que posso perdê-las… como te perdi a ti!Quase odeio o telemóvel que, apesar de o ter colado a mim, não toca… e eu continuo à espera… à espera de um simples toque que me permita ouvir a tua voz e murmurar timidamente: Estou de volta!

Mas eu, bebé, eu continua à espera, continuo à tua espera… porque te amo!

Fernando Candeias